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domingo, 5 de maio de 2013

Dia da Mãe

                                                                                                 paintingforsail.ws

(quadro de Gustav Klimt)

 Poema à Mãe  

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
          Era uma vez uma princesa
          no meio de um laranjal...


Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade

Dia Mundial do Campo

 Porque não fazer um piquenique?


                                                                              
                                                            intemporal-pippas.blogspot.com

Naquele pique-nique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

 Cesário Verde


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Xutos & Pontapes - Homem do Leme


Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.

E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...

E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno lá encontraram.

E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...

E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Fausto Bordalo Dias - "A Nau Catrineta"




Lá vem a Nau Catrineta, - Que me tem muito que contar;
Sete anos e um dia - Sobre as águas do mar.
Já não tinham que comer, - Nem tão pouco que manjar,
Deitaram sola de molho - pra no domingo jantar;
A sola estava tão dura, - Não a puderam tragar.
Ditam sortes à ventura - Qual haviam de matar.
A sorte caiu em preto, - No tenente-general.
- Sobe, gajeiro, sobe - àquele mastro real,
Vê se vês terras d´Espanha, - Areias de Portugal.
Palavras mão eram ditas, - Gajeiro caiu ao mar;
Por milagre de Maria - Gajeiro tornou ao ar.
- Já vejo terras d´Espanha - E areias de Portugal,
Também vejo três meninas. Debaixo dum laranjal.
- Todas três são minhas filhas, - Todas três tas hei-de dar
Uma para te vestir, - Outra para te calçar,
A mais bonita delas - Para contigo casar.
Não quero as vossas filhas, - Que lhe custa a criar,
Quero a Nau Catarineta - Para no mar navegar.
- Nau Catarineta não ta dou. - Que é d´El Rei de Portugal.
Quando chegar a Lisboa - Logo lha vou entregar

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Madredeus - O Mar




Não é nenhum poema
o que vos vou dizer
Nem sei se vale a pena
tentar-vos descrever
O mar
O mar

E eu aqui fui ficando
só para O poder ver
E fui envelhecendo
sem nunca O perceber

O Mar
O mar

sexta-feira, 22 de março de 2013

Com o fim de semana à porta...

                                                                                      Fundação Jorge Antunes

O texto que acompanha o cartaz é sugestivo... "Façam o favor de seguir o vosso anfitrião."

quarta-feira, 20 de março de 2013

"Sem Inspiração"

                                                                                          bobtamasy.blogspot.com



Aqui, sem inspiração

Tento alimentar a minha imaginação

Mas ela demora

E eu preciso dela agora.

Que coisa chata, 

É como uma bala que me mata

Pois é horrível não conseguir pensar

E há tantos assuntos de que posso falar.

Respiro fundo e volto a tentar,

E de repente vejo

Eu tenho um poema!

Que maravilha, passei este dilema

E tem mais de doze versos!
Francisco Ferreira - 9ºB

terça-feira, 19 de março de 2013

"Aqui no meu quarto..."

                                                                        
annabrixthomsen.com
 
Aqui no meu quarto,
sentada nos joelhas da janela
olho o horizonte.
Relembro tudo o que vivi,
guardo tudo o que construí,
sinto tudo que sofri.
Recordo todas as histórias vividas
as palavras mal ditas
das quais não me orgulho.
Todos os dias eu renasço.
Renasço para viver, para sofrer e para aprender,
que a vida nem sempre é fácil,
mas o vento leva a tristeza 
e o sol traz a mudança.
Aqui no meu quarto,
sentada nos joelhos da janela 
aprendi a viver,
a sentir a natureza,
a mergulhar no mar sem me afogar.
 
Carina - 9ºB